APRENDIZ COMGAS

Respostas ao questionário enviado pela organização da IDEC 2007 no primeiro semestre do ano

Helena Freire Weffort
Coordenadora do Projeto Disseminação do Programa Aprendiz Comgás (PAC)

Público alvo do projeto: ensino médio e educação superior.

1) Quais os traços mais marcantes do contexto em que a instituição realiza seu projeto educacional (localização, aspectos de renda, habitação, transporte, serviços públicos, práticas educacionais, associativas e outras características)?

A sede do PAC localiza-se próxima à região central da cidade de São Paulo, no bairro do Brás, e recebe jovens de 14 a 18 anos, de escolas públicas (80%) e privadas (20%).

Trabalhamos com 80 jovens por semestre, em 3 encontros por semana. Estes jovens recebem uma bolsa de R$175,00 (por 5 meses, tempo de duração da formação) e auxílio transporte.

O atendimento destes jovens é feito pelo Projeto Formação. Além deste, o Programa tem um projeto destinado a professores de escolas públicas do interior do Estado de São Paulo, denominado Disseminação e, outro, que busca articular uma rede de jovens e educadores, denominado Coletivo Jovem.

2) Que condutas, atributos, objetivos ou resultados atingidos pela instituição têm alguma afinidade com ideais de educação democrática?
Nosso trabalho se faz com a iniciativa do jovem e está orientado para sempre instigá-la. Os projetos são feitos por eles, do começo ao fim (escolha do tema, do local de ação, escrita do projeto, contato com possíveis parceiros, implementação do projeto).

Este princípio se traduz, no dia a dia, em dispositivos metodológicos e atividades que têm por base a construção da autonomia.
Exemplos: os encontros se dão em roda; exploração dos conflitos em grupo, ao invés de determinação de alternativas pelo educador; elaboração de acordos de convivência em grupo.

3) São promovidas atividades que incentivam a autonomia de estudantes e docentes na construção de projetos educativos (formais ou informais)?

Além do contexto citado acima, as atividades de pesquisa necessárias à elaboração dos projetos representam uma novidade para muitos destes jovens. Nestas atividades, eles têm que definir os itens do projeto, são incentivados a levantar as necessidades do público alvo para que possam, assim, avaliar a própria proposta e readequá-la, se necessário. A gestão do projeto do grupo é feita inteiramente pelos jovens responsáveis.

Os professores que participam do curso de formação (Projeto Disseminação), por sua vez, são incentivados a adaptar a metodologia à realidade de sua escola, desde que não sejam alterados os princípios de autonomia dos jovens em relação aos seus projetos.

4) Quais os antecedentes que influenciaram a implantação desse projeto educacional (experiência prévia e processos que já estavam em andamento)?

O Programa foi elaborado em parceria com a Cidade Escola Aprendiz e a Comgás (Companhia de gás de São Paulo) em 2000. O conceito de bairro-escola no qual a ONG baseia sua experiência influenciou a proposta do Programa Aprendiz Comgás. O desejo de se fazer algo direcionado ao público juvenil talvez tenha sido o mais marcante.

5) Quais os principais traços, do contexto ou externos, que são favoráveis à continuidade e aprimoramento do projeto?

O Programa já tem 6 anos e mostra uma história de experiências interessantes nos seus projetos de formação de jovens e professores de algumas cidades do Estado de São Paulo.

O Programa passou, ao longo destes anos, por algumas avaliações e, desde então, a equipe vem procurando trabalhar com alguns aspectos destacados. Por exemplo: favorecer a relação de autonomia e não de tutela com o jovem e formar uma rede de instituições interessadas em apoiar projetos juvenis.

6) Quais são as principais dificuldades à realização do projeto educacional? e 7) Como as dificuldades foram enfrentadas e talvez superadas?

Temos algumas dificuldades que nos colocam certos desafios:

a) Dificuldade dos jovens em articular parcerias: incentivar a capacidade de articulação comunitária entre os jovens e articular, nós mesmos, um conjunto de entidades e empresas interessadas em projetos sociais, que possam vir a ser parceiros dos jovens.

b) Baixo grau de articulação entre os professores para resolução de problemas: incentivar a capacidade de articulação comunitária e participação política.

c) Visão do jovem como problema nas escolas em que os jovens atuam de alguma forma, dificultando a realização de algumas ações: articulação do Programa com escolas que se interessem por projetos comunitários e vejam o jovem de outra maneira.

8) Como esse projeto educacional pode contribuir para que outras pessoas e instituições desenvolvam projetos democráticos e orientados para a autonomia de docentes e estudantes?

O desenvolvimento desta metodologia em escolas públicas significa, grande parte das vezes, algum nível de transformação no cotidiano escolar; seja porque o professor passe a ver o jovem de outra maneira, modificando sua postura em sala de aula, seja pela formação de grupos juvenis na escola ou fora dela, ou ainda, pela simples referência de um tipo de atuação juvenil determinada pela autonomia.
Acreditamos que isto contribua para a atuação democrática na escola.

9) Que tipo de iniciativas a Idec poderia promover (temas, formatos, informações, pessoas a convidar etc.) para ajudar a superar essas dificuldades? Que tipo de iniciativas podem ser úteis antes da Conferência?

Discussão de temas como potencial juvenil e articulação comunitária. Antes da Conferência, seria interessante termos o desenho desta rede que pode vir a se efetivar a partir deste encontro.



Criada por: fernanda192 pontos . última modificação em: Terça-feira 24 de Junho, 2008 16:28:39 BRT por fernanda192 pontos .

R. Dona Germaine Burchard, 511 (11) 3803-9805 secretaria@politeia.org.br