Centro de Estudos Orientais da PUC-SP

Respostas ao questionário enviado pela organização da IDEC 2007 no primeiro semestre do ano

Christine Greiner
Coordenadora e docente do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP


Departamento de Comunicação e Semiótica da PUC-SP

1) Quais os traços mais marcantes do contexto em que você realiza sua atuação educacional (localização, aspectos de renda, habitação, transporte, serviços públicos, práticas educacionais, associativas e outras características)?

O Centro de Estudos Orientais é um centro de pesquisas vinculado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e está localizado no bairro de Perdizes. O quadro de pesquisadores participantes do nosso centro conta com membros não apenas da PUC-SP, mas, igualmente, de outras universidades, de interessados da comunidade em geral e até de pesquisadores de várias partes do Brasil. O entorno da nossa localização é privilegiado por linhas de ônibus, movimentadas diariamente por estudantes de diferentes classes sociais de vários bairros paulistanos, estando o nosso centro também aberto para acolher e desenvolver atividades com pessoas de diferentes classes sociais.

2) Que condutas, atributos, objetivos ou resultados de sua atuação têm alguma afinidade com ideais de educação democrática?

Nossa prática está pautada pela livre participação, cooperação e autonomia. Os temas a serem trabalhados são decididos pelo consenso da maioria e organizados em forma de seminários e grupos de discussão. Para que, assim, todos possam escolher e manifestar, em clima de harmonia e descontração, opiniões variadas e propósitos diversificados para o encaminhamento de nossas pesquisas. Cada pesquisador estabelece seu esquema de trabalho e interesse, podendo realizar a apresentação da forma que lhe convier, por meio de audiovisuais ou explanação oral. Após o término de cada seminário ocorre um debate com as reflexões críticas de maior relevância. Além de uma documentação contínua que procura mapear, arquivar e disponibilizar o resultado das apresentações e das pesquisas.

3) Em sua atuação, que atividades incentivam a autonomia de estudantes e docentes na construção de projetos educativos (formais ou informais)?

A possibilidade de um diálogo constante é o que propicia a valorização de cada manifestação advinda dos membros do centro. Algumas práticas pedagógicas específicas permitem um envolvimento de forma mais autônoma e participativa para que, com isso, o grupo possa escolher os temas e trabalhar a bibliografia complementar de forma que seja cabível acrescentar novas descobertas, conclusões e contribuições.

4) Quais os antecedentes de onde partiu sua atuação (experiência prévia e processos que já estavam em andamento)?

O Centro de Estudos Orientais foi fundado em abril de 1999, pela iniciativa dos professores Christine Greiner e Haroldo de Campos com pesquisas sobre o ideograma e a organização poética do pensamento japonês, somados à ida de pesquisadores ao Japão.

5) Quais os principais traços do contexto ou externos que são favoráveis à sua atuação?

O centro conta com o apoio de várias instituições de fomento, tais como a Fundação Japão (órgão oficial da embaixada japonesa no Brasil), além do apoio de organizações brasileiras como o CNPq e a CAPES. Havendo ainda, a participação de pesquisadores de várias universidades de renome mundial como, por exemplo, a: Universidade de Harvard (USA), a Universidade de Quebec (Canadá) e a Universidade de Tóquio (Japão). Tudo isso com um nível de total autonomia de exercício perante a PUC-SP.

6) Quais são as principais dificuldades e os obstáculos à sua atuação?

Por estar sujeito ao contexto nacional que define o estado da maioria dos centros de pesquisa brasileiros, as principais dificuldades do nosso centro são de ordem financeira. Principalmente para a realização de publicações e eventos de natureza diversa que envolvem o deslocamento de nossa equipe para apresentações ou palestras.

7) Como as dificuldades e obstáculos foram enfrentados e talvez superados?

O centro dispõe da valiosa contribuição do trabalho de pesquisadores voluntários e da colaboração dos membros do grupo que custeiam suas próprias despesas.

8) Como a sua experiência pode contribuir para que outras pessoas e instituições implementem projetos democráticos e orientados para a autonomia de docentes e estudantes?

Pela divulgação em diferentes mídias e meios de expressão do tipo de propósito e do nível de conhecimento desenvolvido pelo nosso centro. Com isso, acreditamos que seria possível iniciar uma série de questionamentos no ambiente educacional e social como um todo. Algo que, idealisticamente, poderia iniciar um processo apto para abarcar desde a escola básica, mas, sucessivamente, também repensando as questões da universidade e seus centros de pesquisas.

9) Que tipo de iniciativas a Idec poderia promover (temas, formatos, informações, pessoas a convidar etc.) para ajudar a superar essas dificuldades e obstáculos?

A divulgação dos centros de pesquisa que trabalham pelo viés democrático possibilitando o reconhecimento e o interesse de instituições que procurem repensar as práticas de pesquisas existentes nas universidades. Tais iniciativas de ajuda poderiam estar voltadas para um espaço democrático capaz de repensar as necessidades e as responsabilidades da universidade brasileira. O formato poderia ser de seminários com abrangência a tal tema e os convidados poderiam ser membros de instituições de fomento à cultura, patrocinadores em geral, empresários, políticos, novos empreendedores, e outros, seguindo uma ampla escala de abrangência indispensável para esse tipo de empreendimento.


Criada por: fernanda194 pontos . última modificação em: Quarta-feira 25 de Junho, 2008 11:25:39 BRT por fernanda194 pontos .

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