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ESCOLA TEIA MULTICULTURAL
Georgya Correa www.teiamulticultural.com.br A escola Teia tem como condutora do processo de ensino aprendizagem a arte, principalmente na forma de teatro, e o autoconhecimento. Assim, a arte acaba sendo o gerador, estimulador de estudos e pesquisas. Não negamos conteúdos e nos norteamos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, mas sim, buscamos maneiras variadas de desenvolvê-los junto aos alunos. Aí entra o trabalho árduo dos nossos professores: transformar estes conteúdos em algo que interesse, divirta, instigue as crianças à pesquisa. Como ele se dá, muitas vezes, através de alguma forma de arte, individualmente ou ligada ao teatro, esses professores se debruçam nesses conteúdos para adaptá-los e desenvolvê-los dentro da nossa proposta. Esses conteúdos são trabalhados não só pelo professor de Turma (tutor), mas também pelos especialistas (artistas). Para possibilitar diversas formas de abordagens por parte do professor de Turma ou Tutor da Turma, trabalhamos com salas ambientes. Cada uma delas sugere um tipo de abordagem como: o ateliê, para desenvolver pesquisas através de maquetes, modelagens, experiências, pinturas, trabalhos com sucatas, reciclagem, cartazes, colagens, etc., nossa Sala de Movimento para encenações, jogos lúdicos, mímicas, representações, jogos e atividades espaciais, rodas, assembléias, danças, atividades para o desenvolvimento da psicomotricidade. Nossa Oficina de Informação garante um espaço confortável para a leitura, contação de história e pesquisas em livros, enciclopédias, etc. Na nossa horta suspensa aproveitamos para trabalhar conteúdos de ciências, pois podemos acompanhar o crescimento e a alimentação de plantas, a importância da minhoca, desenvolver adubos e compostagens, etc. Aproveitando o contato com verduras e legumes que as crianças plantam e cuidam, despertamos a atenção delas para hábitos de alimentação saudável, unindo a essa questão o prazer existente em realizar culinárias em momentos de Cozinha Experimental, onde, além da aprendizagem em diversos aspectos como no caso dos menores a própria alquimia existente na mistura dos ingredientes, onde fazem grandes descobertas como: “Tem leite no bolo!”, até o estudos de peso, quantidades, frações, proporções, etc. em relação aos maiores. Tudo isso acaba sendo um grande aliado nos momentos das refeições coletivas na escola, facilitando, muitas vezes, a introdução de novos alimentos a dietas mais restritas de algumas crianças. Nas salas chamadas de Registro, é onde sistematizamos e registramos tudo o que é vivenciado em todos os espaços, além de ser o local onde acontecem também outras propostas como redações, atividades escritas, jogos de mesa, enfim, tudo o que a sala permitir com essas características. Nossos computadores estão localizados próximo às Salas de Registros para possibilitar registros digitados e pesquisas na Internet. Temos ainda um espaço reservado para o descanso, em momentos livres, lendo um gibi ou simplesmente um bate papo calmo ou mesmo deitar um pouco para relaxar. A Sala de brinquedos para a T1, é um espaço carinhosamente pensado para os pequenos se divertirem e compartilharem brinquedos pedagógicos. Atualmente nossa novidade é a Brinquedoteca, onde as crianças, além de desfrutarem dos brinquedos em ambiente escolar, podem levá-los para casa e exercitarem o cuidado e o respeito por um objeto de uso coletivo. Os professores especialistas ou simplesmente Artistas, também utilizam estes espaços de acordo com a característica de sua aula. Eles, além de desenvolverem suas ‘especialidades’ou sua ‘arte’, a partir delas, trabalham conteúdos que consiga aproximar de sua aula, buscando a interdisciplinaridade com duas ou mais ‘matérias’, como descritos, como exemplos, abaixo: Capoeira é ministrada pelo professor Chico, também ator e professor de teatro da escola INDAC. É desenvolvida com as crianças a partir da Turma 2, dois dias por semana. Ele já desenvolveu com elas conteúdos como contagem ordinal, par e ímpar, ordem crescente e decrescente, localização espacial, gráficos de barras, regiões do Brasil, data cívica, continente africano, entre outros. Nas rodas de capoeira observam a importância do ritual da mesma e sua ordem, assim como a importância de respeitá-la como o sentar em círculo e respeitar o companheiro de jogo. Desenvolvemos nesse ambiente o aquecimento corporal, a concentração, a percepção corporal e espacial, a destreza e o preparo físico. Poesia: Na linguagem poética, as palavras não são apenas instrumentos para comunicar, mas tornam-se carregadas de significado, recriando o mundo e tomando posse do que observam. Podem também ser moldadas, rimadas, encompridadas, ritmadas, repetidas - assumem plasticidade, que se transfere do poeta ao leitor; do criador ao recriador. Ao tomar contato com a linguagem poética, desde sempre, a criança se familiariza a ela, e deixa-se transformar. Através do trabalho com a poesia, desenvolve-se a imaginação criadora e as relações de significado com o mundo, acumulando-se informações para construir o imaginário próprio, conhecendo os elementos da linguagem e ampliando o repertório de imagens. O trabalho com a poesia, falada e escrita, é mais um instrumento em favor do desenvolvimento, fazendo a criança tomar contato consigo mesma e com o universo. Nas aulas de poesia com a professora e poetisa Tati Fraga, a escola Teia Multicultural tem como principal objetivo trabalhar o olhar poético – ou, como perceber objetos, relações ou o que quer que seja, além do óbvio. Sempre a partir de um texto proposto – poesia ou prosa-poética – as crianças são conduzidas a perceber a maleabilidade das palavras nessa linguagem específica. Através de parlendas, trava-línguas, poemas livres ou sonetos, os alunos passam a conhecer outras possibilidades de expressarem o que sentem ou pensam. A Dança Circular, desenvolvida pela professora Marisa Braga, com formação em Pedagogia e Educação Física, é parte da descoberta de culturas antigas sobre a especialidade da forma circular para o estar e fazer junto. Nela, passaram a representar os ciclos da natureza, o pulsar dos movimentos do sol, da lua dos planetas, o ritmo da respiração e o pulsar do coração, a vida e a morte. Adotaram-na na antiguidade, nos seus rituais de passagem, em celebrações, ocasiões de reverência, temor, louvor, gratidão...O círculo é uma forma geométrica especial, por simbolizar a perfeição e a plenitude que o ser humano busca. Dessa forma, as Danças Circulares resgatam a inspiração do homem primitivo e ao mesmo tempo dão continuidade a um fio que jamais cessou de existir na história da humanidade: dançar e interagir grupalmente. Compor a circunferência da roda já constitui uma criação, a observação nos pontos que distam igualmente, a percepção de que estão todos voltados para um mesmo centro e todos são igualmente importantes na composição final de um círculo são também conceitos desenvolvidos ao longo das aulas, além de pesquisas sobre diferentes temas históricos e familiares, bem como a localização e diferentes expressões das Danças Circulares no mundo, possibilitando assim o estudo de diversos conteúdos. A partir do Teatro, ministrado pela atriz, diretora e pedagoga Georgya Correa e com a assistência da atriz e clown Ludmilla Correa, é possível, além do desenvolvimento das atividades específicas do fazer teatral com exercícios que estimulem a elaboração, o raciocínio, a compreensão, mas que vão além disso, à interatividade, busca-se fazer com que o aluno ultrapasse o estímulo visual e mental, já tão estimulado nos dias de hoje pela TV, vídeo games, computadores e etc, para aqueles que eles participem efetivamente, vivenciando situações, emoções, brincadeiras, tornando-se assim sujeitos e não espectadores. Buscamos também despertar o interesse das crianças para a cultura, num país onde a diversidade cultural é grande, mas pouco reconhecida, através das nossas atividades, levantamentos históricos e jogos. Para dar oportunidade de vivenciarem experiências não freqüentes no dia-a-dia do aluno, realizam exercícios corporais para: noção corporal, espacial, aquecimentos, alongamentos; vocais: dicção, articulação, respiração; laboratórios: a auto-expressão, a desibinição, a auto confiança, a auto estima e a concentração, além dos exercícios específicos de interpretação propriamente dito, onde iniciamos desenvolvendo a compreensão de textos lidos, músicas, poesias, para desenvolver a leitura (oratória) e a leitura interpretativa, bem como pesquisas dos contextos históricos e geográficos do texto. A finalização de cada ano letivo é coroada com a apresentação de um espetáculo utilizando um texto existente, com toda a Turma Teia, e que também possa ser relacionado a mais alguns conteúdos do currículo escolar. Além disso, o teatro faz parte do Projeto Conviver, momento este em que todas as crianças da escola se encontram e desenvolvem atividades juntas. O maior desafio no inicio do ano é o relacionamento entre tão diferentes idades, pois juntos estão crianças da T1 a T5. Por outro lado, são nesses momentos onde podemos observar que o trabalho realmente vale a pena, quando vemos o cuidado e o carinho dos mais velhos com os mais novos. O respeito pelas diferenças e o compartilhar aparecem concretamente e é através dele que em pouco tempo conquistamos, ou melhor, eles se conquistam, pois se transformam de estranhos assustadores (na visão da T1 em relação aos maiores) e egocêntricos, em amigos, amorosos e confiáveis. Num segundo momento, brincam juntos, representam uns para os outros, compartilham e se unem aproveitando suas diferenças para crescer. Assembléia: Trabalhar valores de forma democrática e reflexiva, em nossa Escola que tem como objetivo promover o prazer de estudar em nossos alunos e alunas, e também o prazer de ensinar em seus professores e professoras, é um caminho profícuo para a construção da auto-estima e do autoconhecimento. Queremos uma Escola prazerosa, que estudantes e docentes queiram freqüentar e na qual tenham prazer com o que fazem e desenvolvem diariamente. Uma Escola cujos membros sintam que ela tem significado para suas vidas. Dentro do Projeto Conviver, temos um espaço para as Assembléias, que busca promover a real democratização das relações interpessoais e algumas questões da gestão da Escola. Acreditamos que dar voz aos próprios sujeitos dessas mudanças é um bom caminho para apresentarmos a discussão sobre como esse tipo de experiência que transforma radicalmente as relações no dia-a-dia das salas de aula e da Escola pode refletir na construção da cidadania e da democracia. O objetivo principal é envolver toda a escola num diálogo, de forma a favorecer o desenvolvimento da autonomia responsável, onde cada individuo é responsável pelo todo e que cada um participa na elaboração dessas responsabilidades que incluem deveres e direitos. Nesse momento da vida escolar percebemos claramente o amadurecimento que esse processo vem alcançando, não somente quanto a participação e posturas durante as assembléias, mas , principalmente, o comprometimento no dia-a-dia em relação aos combinados decididos pela maioria. Outro momento bastante significativo que estamos percebendo como fruto desse processo são as “minis-assembléias” que estão acontecendo por turma, ou seja, quando o assunto é pertinente aquele grupo, ele é discutido e depois feito um resumo na assembléia geral. Outra observação bastante interessante é vermos o quanto ser dirigente desse processo passou a ser importante para eles. No inicio a compreensão da condução das assembléias era algo muito distante das suas experiências. Hoje existem vários candidatos a escriba e secretário, gerando uma mobilização e movimento bem democrático e participativo. Mas o grande ganho e crescimento é refletido de forma prática, na postura dos nossos professores, educadores, auxiliares, ou seja, todos os adultos envolvidos nesse processo, aprendendo a respeitar e, de fato, compartilhar as suas expectativas, dúvidas e interrogações de comportamentos, hoje, muito mais verdadeiros; gerando um movimento de respeito mútuo, sendo tanto educandos como educadores, atores do mesmo processo, onde todos tem participação especial e não apenas meros coadjuvantes de um roteiro previamente elaborado. Ver hoje, crianças da Turma 2 perguntando com curiosidade: hoje tem assembléia? É poder ter a certeza que a construção do respeito or si próprio é inerente ao ser humano, e que, com certeza, essas crianças serão cidadãs e cidadãos críticos, conscientes de seu papel político e social na construção de uma vida mais justa e feliz para cada um e para todos os membros da sociedade em que vivem. Dança não é apenas expressão e celebração da continuidade orgânica entre homem e natureza, é também realização da comunidade viva dos homens. Outra função da dança é a de ajudar o homem a formar um conceito mais nobre de si próprio primeiramente, a vontade de dar à dança aquela significação humana e espiritual profunda e, depois, a de alcançar isto pela liberação do corpo e de seu movimento. Essa é a maneira que o professor Sérgio Ferreira vê a dança e a desenvolve com esse intuito aqui na Teia. Formado em Educação Física, Dança e Teatro, desenvolve o trabalho utilizando diversas técnicas para a expressão corporal, tendo como ferramenta coreografias incidentais ou previamente elaboradas e unindo à especialidade/arte, estudos de conteúdos diversos, principalmente os voltados ao corpo humano e sua relação com o meio. Desenvolve ainda, junto às crianças, as coreografias (muitas vezes regionais) do musical proposto para tema do ano. Jogos e Brincadeiras: A criança brinca para conhecer a si própria e aos outros em suas relações recíprocas, para aprender as normas sociais de comportamento, os hábitos determinados pela cultura; para conhecer os objetos em seu contexto, ou seja, o uso cultural dos objetos; para desenvolver a linguagem e a narrativa; para trabalhar com o imaginário; para conhecer os eventos e fenômenos que ocorrem a sua volta (Vygotsky). Os brinquedos e brincadeiras feitos pelas próprias crianças ou apenas manipulados por elas oferecem um vasto campo para o desenvolvimento em diversos aspectos. Os jogos possibilitam o desenvolvimento físico, o contato com questões como ‘ganhar ou perder’, 'equipe’, ‘diferenças’, ‘desafios’, entre outros. A união de jogos e brincadeiras nos dá um universo de possibilidades de desenvolvimento como na matemática, na história, entre outros. São com essas possibilidades que o professor trabalha em nossa escola. A Música no contexto escolar nos trás diversas possibilidades, sendo elas desde a escuta de obras musicais de diversos gêneros, o reconhecimento e utilização da expressividade, a observação de contextos musicais e das diferentes características geradas pelo silêncio e o som, brincadeiras e jogos cantados e ritmados, a possibilidade de imitar, inventar, reproduzir criações musicais, utilizando-a como forma de expressão baseados nos elementos da linguagem musical, e a partir dela estudos como intensidade, velocidade, densidade, bem como auxiliar na ampliação da memória, no contato com diferentes culturas, épocas, povos, e países, sem dizer o trabalho de linguagem oral e escrita a partir das letras musicais e dos gráficos, entre outros, em matemática. Dessa maneira, nos possibilita um trabalho interdisciplinar com diversas áreas do conhecimento, enquanto produzimos música com nossas crianças, pois, como trabalhamos com peças teatrais musicais, no decorrer do ano vamos nos ‘afinando’ para a apresentação de final de ano. Kempo Indiano é a prática trazida e adaptada ao Brasil, pelo Mestre Jô Azer, carioca, que treinou o Vajra Musht, na Índia, com mestres indianos. O Kempo Indiano trabalha fundamentalmente, atenção, adaptabilidade, flexibilidade e instinto. Inspirado pelos animais, plantas e elementos da natureza, busca todas as possibilidades de movimentação do corpo humano, e a vastíssima gama de qualidades psíquicas que podemos acessar e somar ao movimento deste.Um dos estudos do Kempo Indiano é a linha de desenvolvimento da movimentação do corpo deitado que acorda, se espreguiça, e encontra a forma mais relaxada e natural de se por em pé, ciclo que retorna até deitar-se novamente, e que espelha a linha de desenvolvimento evolutivo dos animais; Invertebrados / peixes / anfíbios / répteis / aves / mamíferos - também refletida na linha de desenvolvimento do crescimento humano; fase embrionária, parto e pós-parto, bebê que se arrasta até sentar, anda de quatro, se torna capaz de ficar em pé, até alcançar o equilíbrio de ficar num pé só, pular, etc...Ao trabalhar com diversas formas de movimentação, o Kempo Indiano também trabalha o descondicionamento do corpo e da mente, partindo do princípio de que o corpo e a mente são a mesma coisa, ou dito de outro modo, estão tão intimamente ligados que é impossível pensar no desenvolvimento de um sem o outro. Na Teia MultiCultural, o professor Mavutsinim, praticante de Kempo Indiano há 9 anos, utiliza o repertório do Kempo Indiano também para transmitir conhecimentos sobre as espécies animais e suas inter-relações, noções sobre o ciclo de movimentação dos elementos na natureza, e parte dos princípios que estruturam a prática, que em sua maioria, são princípios universais, expressos em contos e fábulas do mundo todo, que procura compartilhar com os alunos. Inglês: A aprendizagem de uma segunda língua por uma criança estimula a inteligência lingüística da mesma, a percepção e a articulação dos sons. A criança adquire maior versatilidade. A proposta do nosso professor de Inglês, Paulo Quintiliano, é de estimular conceitos, desenvolver o encadeamento de estruturas lógicas e a percepção visual. A aprendizagem da língua deve acontecer de forma prazerosa, ampliando as conquistas, por meio de histórias, músicas, brincadeiras, desenhos, culinárias, ligadas aos temas dos projetos. Artes: Este trabalho em nossa escola é ao meu ver, Carmem Lazari, uma toalha de mesa feita de um tear. Me vem a palavra tessitura, o trabalho na Teia é mais ou menos assim, (artista que sou tenho que concretizar os meus pensamentos). O Atelier de Artes de nossa escola, costumo dizer, é um grande laboratório de descobertas. Neste espaço acontecem trocas entre a percepção direta da natureza e da realidade cultural, onde hipóteses se encontram com as respostas, sejam elas positivas ou não, que nos fazem pensar e repensar os nossos planejamentos e avaliações. Como a proposta da escola tem como eixo a Arte ela está presente em todos os nossos ambientes, as nossas professoras e professores trabalham com diversas linguagens para a assimilação e acomodação de nossos conteúdos. O teatro é a grande mãe agregadora de todas as outras artes: música, dança, artes plásticas, etc. Neste projeto é que a nossa toalha feita de tear fica pronta. Nele, a participação mais específica das aulas de artes são o desenvolvimento de cenário e figurinos, criados e realizados pelos próprios alunos, trabalhando assim, a criatividade e tendo como ferramentas principais as artes plásticas, a matemática e o desenho geométrico. Além das aulas de Reciclagem, que funcionam como oficina para a T2 e T3 e que desenvolve a coleta seletiva e os devidos cuidados (separação, limpeza e armazenamento) com os resíduos produzidos pelas atividades da escola, o que tem enriquecido o processo educativo trabalhando com as responsabilidades por nossos objetos de consumo e o destino dado aos seus resíduos após uso. Um cuidado sensível com as coisas e preocupação com o meio ambiente. Usamos diversos materiais na produção de ‘brinquedos’, que no jogo simbólico, com esses materiais disponíveis ao seu redor as crianças percebem que tudo pode se transformar, sendo transportado para o mundo infantil.“O brinquedo bom é o que a criança brinca, que desafia seu pensamento e o que mobiliza sua percepção. Que proporciona experiência e descoberta.” Quem acompanha esse trabalho com as crianças é o professor Rômulo dos Santos, que procura se deter em observar e influenciar a concentração e atenção das crianças nas brincadeiras, respeitando o momento de descoberta e ajudando-os em suas decisões. É nesta atmosfera lúdica onde se manifestam suas potencialidades motoras e cognitivas e seus laços afetivos se firmam. Um momento mágico e precioso de descoberta. Sensibilização/Meditação Ativa, que acontece dentro das aulas de teatro para T4 e T5, é também uma proposta bem inovadora na educação. Acompanhada pelo mestre Kamal, ator, terapeuta corporal, desenvolve as técnicas de pulsação tibetana, chiatsu e meditação ativa a partir de formação vivencial num ashram em Poona, na Índia, onde morou e posteriormente veio desenvolver essas técnicas no espaço Sollua, instituto de terapia alternativa. Lá na Índia, foi professor na escola do ashram, de crianças com pais da comunidade. Aqui na Teia, desenvolve exercícios de sensibilização, principalmente a partir do contato e observação dos sentidos, técnicas de relaxamento e percepção de si e do espaço, equilíbrio e utilização dos pontos de energia vital. Nossa proposta é construtivista e trabalhamos por projetos. No primeiro semestre cada Turma tem o seu projeto individual, escolhido junto aos professores de Turma. No segundo semestre, o eixo condutor é o mesmo para toda a escola, uma peça teatral que servirá de tema para o desenvolvimento dos projetos e assim dos conteúdos. Além de a peça ser trabalhada com os professores/tutores de Turma, é também desenvolvida pelos especialistas/artistas, principalmente no Projeto Conviver-Teatro, onde ensaiam; nas aulas de Dança onde montam as coreografia; nas aulas de música onde exercitam o cantar e ensaiam; e nas aulas de Artes, onde confeccionam os adereços e figurinos. O produto final é a apresentação da peça, com a participação de todas as crianças da escola e colaboração de alguns pais, além de instalações nas salas da escola de todo o processo de pesquisa e construção da mesma e os desdobramentos dos conteúdos ligados ao tema. Com uma proposta bastante ‘diferente’ e ‘nova’, não podemos contar com professores já preparados para atuar desta forma, assim, temos um trabalho de formação contínua com os mesmos. Faz parte dele encontros semanais individuais, encontros mensais em grupo e uma vivência de dois dias num sítio próximo a São Paulo a cada semestre. Estamos montando um Grupo de Teatro Teia, que se encontra quinzenalmente com o intuito de realizarmos juntos exercícios de laboratório, capacitar para o trabalho dentro da Teia, além de desenvolver montagens teatrais que se refiram a aspectos educacionais para nos apresentar-mos para a comunidade. Além disso, nossos profissionais participam de formações externas como cursos de educação democrática (IDEB), trabalhos de autoconhecimento a partir de diversas técnicas (Espaço Sollua), entre outros. Temos como principal requisito para ser integrante da Teia, pessoas abertas e dispostas a conhecer novas propostas, desenvolver-se em diversos aspectos e realizar seu trabalho como educador de maneira inovadora e prazerosa. Comemoramos, ainda, algumas datas do calendário através de uma visão cultural, aproveitando o tema para aprendizagem, através de pesquisa sobre o surgimento da mesma, suas transformações através do tempo, o reflexo da mesma em nossa sociedade e as diferentes formas de manifestação, comemoração e crenças (no caso de datas religiosas como a páscoa e o natal). Alguns exemplos do que realizamos o foram a oficina de Cultura Tradicional Brasileira, a qual foi encerrada, após uma semana de atividades, com o Samba de Umbigada, e outro exemplo foi a comemoração do dia da Consciência Negra, no qual trouxemos a troupe Djembedon, que acompanha a cantora e dançarina da República da Guiné Fanta Konatê. O material escolar também é coletivo, ficando na escola, evitando o leva e trás de mochilas pesadas, tão prejudiciais à saúde física, além de ser também um excelente momento para trabalhar conceitos como a utilização coletiva. Por fim, nossas Assembléias tem também a ‘função’ de estabelecer as regras atitudinais da escola. Regras estas que são levadas bastante a sério por àqueles que às criam, nossas crianças. Para que os pais possam acompanhar mais de perto todo esse processo e poder inclusive participar dele mais efetivamente, temos nosso projeto ao Cair da Tarde, que acontece pelo menos uma vez por mês e é quando os pais e familiares de nossos alunos são convidados a compartilhar conosco, no final do dia letivo, seus conhecimentos, idéias, ‘dotes’, ou apenas bater um papo enquanto as crianças brincam no parque,enfim, um espaço aberto, para todos juntos, pais, filhos, educadores, usufruírem do espaço escolar para se aproximarem uns dos outros, como talvez àquela pracinha de antigamente.
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