Parceria com NUPSI

O NUPSI (Núcleo de Psicopatologia, Políticas Públicas de Saúde Mental e Ações Comunicativas em Saúde Pública da USP) visa a que ações psicossociais comunicativas na área sanitária se dêem em uma instância universitária de fomento a atividades interdisciplinares no campo da formação, da pesquisa e da extensão.

O NUPSI tem por escopo atender a estas diretrizes mediante as seguintes modalidades extensivas previstas no Regimento de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, aprovado pela Resolução CoCEx nº 4940:
• Participação em projetos comunitários;
• Elaboração de diagnósticos;
• Supervisão de estágios não-obrigatórios;
• Cursos de especialização;
• Divulgação nos meios de comunicação do conhecimento produzido mediante radiodifusão, colóquios e publicações;
• Armazenamento digital do conhecimento produzido e divulgado.

Tal escopo tem também como importante horizonte oferecer um campo de atividades interdisciplinares para professores, estudantes e pesquisadores de diferentes unidades da USP inseridos em programas de graduação e pós-graduação nos níveis de mestrado e doutorado, de maneira a articular e enriquecer reciprocamente os diversos campos teórico-práticos compreendidos nas ações psicossociais comunicativas na área sanitária.


CARTA DE PRINCÍPIOS - trechos selecionados


Concebendo a ação comunicativa como um saber-fazer e um fazer-saber que põem em contato agentes internos e externos à universidade, cabe atentar ao ensinamento propiciado por um cidadão que, entrevistado sobre a sua condição de usuário de serviço de saúde mental, perguntou-nos pela definição de psicopatologia. “Aprender com o sofrimento” foi a resposta, diante da qual, ele advertiu: “Cuidado, porque assim sempre se encontra sofrimento. Por isso, eu prefiro aprender com a felicidade.”

A reflexão sobre esta advertência nos remete aos seguintes pontos:

• considerar a psicopatologia como o conhecimento (logos) do sofrimento (páthos) da mente (psichê) envolve o risco de, exacerbando a atenção ao sofrimento, perder de vista o ponto de apoio positivo a partir do qual se pode conhecer a mente. Noutras palavras: não é possível nem aprender nem dar a aprender com o sofrimento se ele é referência, instrumento e ambiência únicos. Ainda que sob a forma de uma mínima esperança, é necessário um grão de encantamento, de alegria e de prazer sem o qual a melancolia leva à morte;

• assim como a saúde não se reduz à ausência de doença ou enfermidade, como ensina a OMS, assim também a paz não é ausência de guerra, como ensina Espinosa. Ou seja: a ausência do negativo não equivale à presença do positivo;

• a inclusão do bem-estar social na definição internacional e na legislação brasileira de saúde leva a interrogar quais são os fundamentos positivos das instituições sociais, afastando a redução do trabalho à obediência a metas de produtividade, impedindo o confinamento da justiça à punição aos que não cumprem o dever, questionando a qualidade da educação da escola concebida como dispositivo disciplinar e obstando que se esgote a psicopatologia na classificação e administração dos desvios psicossociais das normas de funcionamento mental e comportamental;

• a norma, a pena, a disciplina e a obediência coagidas acompanham antes o mal-estar que o bem-estar social, ao passo que o desejo, a alegria e o prazer espontâneos constituem a relação positiva com o semelhante.

Sendo a relação positiva com o semelhante essencial à gênese, à manutenção e ao desenvolvimento da vida plena e da co-existência humana – sendo também, portanto, condição necessária do bem-comum que é norte da justiça –, a dimensão social da saúde porta consigo a dimensão vital do direito.

Destarte, tendo a vida como inconteste valor supremo, o direito à saúde se apresenta como ponta-de-lança da democratização dos direitos sociais, contrapondo-se ao pressuposto do medo da morte como fundamento primacial da sociabilidade – idéia que, em conformidade a uma lógica da guerra, acompanha a equiparação entre poder político e dominação.

Já na perspectiva da cultura da paz, apostando em fundamentos positivos da saúde ancorados no desejo de vida plena quanto aos modos de autoconhecimento psicossocial, de formação educacional, de sustentação econômica e de reparação jurídica, com vistas a que, na consecução do bem-comum, a justiça participativa efetivamente perpasse, enfeixe e enforme a justiça distributiva e a justiça corretiva, colocam-se as seguintes proposições:

1. na medida em que as dimensões social e individual da saúde apóiam-se essencialmente no intercâmbio solidário de acolhimento, escuta, curiosidade, compreensão, intenção reparatória, generosidade, ajuda mútua, prazer, alegria, encantamento e reflexão, o movimento da psicopatologia para a saúde pública consiste no esforço contínuo de investigação e cura do que se contrapõe ao desenvolvimento da trama psicossocial do cuidado de si e do semelhante;

2. a dimensão social da saúde apóia-se essencialmente na justiça restaurativa, na medida em que esta responde pelo direito ao reconhecimento social da própria história e ao acesso a reparações jurídicas centradas não na punição e sim na compreensão e na superação das causas da violência obtidas no processo de recomposição de laços sociais em torno do ofensor e do ofendido;

3. a dimensão social da saúde apóia-se essencialmente na economia solidária, na medida em que esta responde pelo direito ao trabalho autônomo associado e autogestionário, não subordinado e não alienado;

4. A dimensão social da saúde apóia-se essencialmente na educação democrática, na medida em que esta responde pelo direito à instrução e à formação centradas no estímulo e no exercício do desejo de conhecer e ensinar e na consideração dos educandos e dos educadores como agentes essenciais de decisão quanto aos temas e às regras de convivência relativas ao processo de aprendizagem;

5. as dimensões social e individual da saúde encontram recurso precioso na filosofia espinosana, na medida em que esta oferece fundamento ontológico, lógico, ético e político único para a interpretação conjunta das relações solidárias entre corpo e mente, afeto e razão, homem e natureza, indivíduo e comunidade, direito e poder, necessidade e liberdade, nos quadros de uma ciência do singular.

Na perspectiva da criação de um núcleo ligado às ações psicossociais comunicativas na área sanitária, cabe, por fim, considerar essas diversas proposições à luz do princípio da integralidade de assistência em saúde,
“entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema”(artigo 7º da Lei Orgânica da Saúde).

Ao preceituar assim que um acervo de recursos complexos e múltiplos adquira unidade caso a caso em função da especificidade dos cuidados requeridos por um indivíduo preciso ou por uma determinada coletividade, entendemos que o princípio da integralidade da assistência em saúde prescreva que as ações sanitárias constituam modos de cuidado singular do singular.
Incorporando a centralidade de tal diretriz ética à circunscrição dos apoios essenciais à consecução das múltiplas dimensões sociais da saúde sob o prisma do movimento da psicopatologia para a saúde pública, podemos caracterizá-lo conjuntamente à educação democrática, à economia solidária, à justiça restaurativa e à filosofia espinosana como sendo Invenções Democráticas geradoras de um campo de operações clínico-políticas constituído por modos de cuidado singular do singular voltados ao aumento da potência de autonomia e cooperação.

MISSÃO DO NUPSI


1) Ser o lócus universitário das seguintes atividades interdisciplinares:

a) incubação de idéias e projetos de invenções democráticas e suas formas de articulação em práticas sociais libertárias;

b) promoção de ações comunicativas para a interação simbiótica das invenções democráticas e sua ampla divulgação à comunidade interna e externa à universidade.

2) Intervir junto à sociedade propondo uma “Psicopatologia para a Saúde Pública” que parte de uma idéia central: de que os cidadãos têm direito e potência para participar da construção de um diagnóstico sobre as questões que envolvem o seu sofrimento psíquico e sobre as propostas de promoção de sua saúde mental.

OBJETIVOS DO NUPSI


1) coordenar ações psicossociais comunicativas na área sanitária na condição de órgão interdisciplinar e interinstitucional de integração entre os três pilares fundamentais da Universidade de São Paulo – ensino, pesquisa e extensão;

2) desenvolver programas e planos de trabalho voltados à formação, informação e comunicação em saúde mediante estágios não-obrigatórios, colóquios, publicações, cursos, radiodifusão e armazenamento digital dos conhecimentos produzidos;

3) empreender e apoiar ações comunitárias de promoção da saúde mental coletiva;

4) articular estudos e intervenções voltados ao cuidado da saúde física e mental dos trabalhadores ligados à oferta de bens e serviços públicos.

VÍDEOS e LIVROS





COLÓQUIOS


- Junho de 2009 - O DIREITO E A PSICOPATOLOGIA PARA A SAÚDE PÚBLICA:ESTRATÉGIAS PARTICIPATIVAS NA EDUCAÇÃO, NO TRABALHO E NA JUSTIÇA

- Novembro de 2008 - DOMINAÇÃO OU LIBERDADE

- Junho de 2008 - A ESTRATÉGIA DAS REDES E DOS DIÁLOGOS NA SAÚDE COLETIVA







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